São Lourenço do Oeste se transforma na gigante dos biscoitos e das oportunidades

Geral
São Lourenço do Oeste | 09/08/2019 | 09:06

Autor: Angela Maria Curioletti/Portal Minutta
Foto: Prefeitura de São Lourenço do Oeste

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que São Lourenço do Oeste (SC) tenha 23.857 habitantes e, apesar de parecer pequena, a cidade ganha cada vez mais notoriedade em nível de Estado, principalmente na geração de empregos, puxada pelo setor da indústria. Em maio deste ano, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgou que São Lourenço do Oeste liderou a geração de empregos no Estado de Santa Catarina entre abril de 2018 e março de 2019, representando 3,76% numa amostra de 15 grandes centros, como Florianópolis e Joinville.

Os números positivos não param. Entre janeiro e junho de 2019, São Lourenço do Oeste teve 2.415 admissões, resultado que representa 12,5% de todos os empregos gerados na microrregião de Chapecó (SC), a qual abrange 38 cidades. No primeiro semestre deste ano, assim como no ano passado, o setor que impulsionou os empregos foi à indústria de transformação, seguido por serviços, comércio e construção civil, respectivamente.

São Lourenço do Oeste é conhecida como a capital das massas e biscoitos, tendo como grande potências Parati e a Casaredo, indústrias que poderiam alimentar toda a população por um ano. Juntas, empregam mais de 10% da população. As duas empresas, que surgiram do Grupo Libardoni e depois se dividiram, produzem milhares de biscoitos por hora, produto que tem se destacado dos demais e, por isso, recebem mais investimentos nos últimos anos.

Multinacional no Oeste de SC

A Kellogg’s, fabricante americana de alimentos, anunciou em 2016 a compra da Parati por R$ 1,38 bilhão, a maior aquisição do grupo norte-americano já realizada na América Latina e dentro de estratégia de avançar na área de petiscos e em mercados emergentes. Até então, a Parati, apresentava faturamento de cerca de R$ 600 milhões e aproximadamente 3,2 mil funcionários, vendendo 120 mil toneladas de alimentos por ano, entre biscoitos, cereais e refrescos.

Este foi um novo marco em São Lourenço do Oeste. Logo depois, a Kellogg’s anunciou um investimento de aproximadamente R$ 215 milhões para expandir as instalações da Parati. Os trabalhos começaram em 2018 e devem ser concluídos até o fim de 2019.

Casaredo cresce

A nova unidade da empresa foi inaugurada em 2008 e, somada as outras, a fábrica hoje tem 30,5 mil metros quadrados e 800 funcionários diretos e indiretos. Após uma década, a produção duplicou e novos produtos saíram do forno, literalmente.

Fausto Echer, diretor da Casaredo, confirma que os biscoitos são hoje a parte mais representativa da empresa. “Os maiores investimentos foram no segmento de biscoitos porque o alcance é maior que outros produtos”, explica ele referindo-se a exportação. Para Echer, São Lourenço do Oeste teve um desenvolvimento atípico pela adversidade do relevo, que não desenvolveu tanto na agricultura. “Porém, forjou empresários que foram para a área empresarial. A cidade sempre teve destaque e a expressão industrial supera muitos municípios que tem até condições melhores”, frisa.

Sobre o momento que a cidade vive o diretor da Casaredo confessa que tem procurado fazer essa leitura do mercado, dessa transformação, e fazendo investimentos em adequações, o que envolve automações, desenvolvimento de produtos mais saudáveis, equipamentos e mão de obra. “Vivemos um momento bom com relação à Kellogg’s, que demandou muitos trabalhadores que vieram de fora. Parte deste universo de trabalhadores vai permanecer porque a atividade demandará. Nós mesmos estamos passando por isso, ampliando bastante nosso faturamento, buscando novos mercados e isso demanda número maior de pessoas”, conta. O diretor acrescenta que tem ampliações previstas na área de estocagem e na produção, tirando a ociosidade de algumas linhas. “As que operavam dois turnos estamos abrindo um terceiro”, complementa.

Adequada à nova realidade

À frente de uma pizzaria há três anos, a empresária Cintia Mara Soletti dos Santos viu na demanda uma oportunidade. Com tantas empresas prestando serviço em São Lourenço do Oeste, faltava locais para alimentação dos trabalhadores. “Foi tudo muito rápido”, diz Cintia, que chegou a servir 350 almoços por dia nos últimos meses. “Eu acho que São Lourenço do Oeste é uma cidade próspera. Tem um campo gigantesco de trabalho e de oportunidades, em todos os sentidos”, fala. Ela diz acreditar que o número de trabalhadores irá diminuir com o tempo, principalmente quando as ampliações da Kellogg’s terminarem, mas confessa que já pensa em novos investimentos porque sabe que a demanda ainda é grande e continuará por um bom tempo.

Aluguel? Hoje não

Com novos moradores é preciso novos lares. Mas, de acordo com o corretor e avaliador de imóveis, Elcio Klaus, encontrar um imóvel pra alugar tem sido missão impossível na cidade. “O mercado de locação residencial nos últimos 18 meses em nosso município está numa fase de crescimento. O que ajudou muito foi a expansão das empresas, tendo muitas residências locadas por prazo temporário. Mesmo assim, outras pessoas migraram para São Lourenço do Oeste em busca de emprego”, explica Klaus sobre o cenário encontrado atualmente. Ele acredita que, mesmo acabando alguns contratos com as empresas prestadoras de serviço, as locações serão preenchidas. 

O mesmo que acontece com as residências, reflete no comércio, segundo o corretor. “Entre 2017 e 2018 havia várias salas comerciais para locação. Hoje, praticamente a maioria está locada e tendo ainda muita procura”, diz. Para Klaus São Lourenço do Oeste é uma cidade que vale a pena investir. “Quem investiu no município nunca perdeu”, finaliza.

Crescimento em outras áreas

O diretor da Casaredo diz que São Lourenço do Oeste vive um momento de frenesi. “Eu estou aqui todos os dias e percebo isso. O fato de a Kellogg’s se instalar aqui deu o start que faltava, então vemos o movimento no comércio, empresas trocando de fachada, melhorando vitrines, a cidade bem mantida, asfaltada, iluminada, praças reformadas. Estão acontecendo coisas positivas e que gera uma onda de otimismo virtuoso”, salienta.

Questionado sobre a concorrência na vizinhança, Echer afirma que a Casaredo está trabalhando focada no que precisa fazer. “O mercado é extenso. Sabemos que o Brasil ainda não vive um bom momento, mas temos um maravilhoso crescimento em nossa cidade porque estamos olhando menos para Brasília e mais para nossa atividade”, diz. Ele diz que, mesmo disputando o mesmo segmento, Casaredo e Kellogg's acabam sendo boas vizinhas. “Estamos sentido e vivendo este momento mágico”, observa.