Informações e foto: Cristiane Sabadin/Diário do Sudoeste
O soco no rosto de um conselheiro tutelar de Pato Branco (PR) não rendeu apenas quatro pontos e um olho roxo. A sensação de insegurança diante da violência sensibilizou a sociedade e não passou em branco pelo órgão responsável. Na quarta-feira (31), o Conselho Tutelar paralisou parcialmente suas atividades em solidariedade ao funcionário de 61 anos, que sofreu agressão enquanto trabalhava no centro da cidade.
Ele contou que prestou apoio a um pai que procurava sua filha, de 15 anos, em Pato Branco. “A adolescente tinha saído de Palmitos (SC) para visitar uma amiga no Sudoeste. Seu pai entrou em contato com o Conselho Tutelar pedindo ajuda para encontrá-la". Depois de algumas buscas, a menina não foi localizada. O conselheiro orientou o pai para que ficasse de plantão e, se precisasse de apoio, procurasse novamente o órgão.
“Fomos então fazer buscas na praça Santa Terezinha, na pista de skate e, localizamos sua filha na praça Presidente Vargas. Ela estava com um grupo de adolescentes e disse a seu pai que não iria voltar para casa, que já estava morando com um rapaz.”
Neste momento o conselheiro interviu e quis conversar com a adolescente, mas foi agredido com palavras e socos. A polícia chegou, levou o adolescente à delegacia. A menina voltou para casa na companhia do pai.
Para o senhor, ficam marcas bem mais doloridas que os hematomas e um sentimento de que é preciso continuar o trabalho de cabeça erguida. “Diante dessa situação não vou levar como humilhação, mas como algo que me dê mais força para lutar. Sei que há muitas crianças e adolescentes precisando de ajuda. Se a educação deste jovem que me agrediu fosse diferente, talvez, não tivesse reagido dessa forma.”
O conselheiro afirmou que não irá trabalhar com medo, afinal, acredita no ser humano. “Acho que há mais gente boa que má. Não vou me intimidar. Quero continuar desempenhando meu papel. Foi um caso isolado.”
Apoio
A secretária de Assistência Social, Anne Cristine Gomes da Silva, se disse sensibilizada com a agressão ao conselheiro. Lamentou que a competência destes funcionários esteja sendo confundida com a atuação da polícia. “É preciso separar quando ele (adolescente) é vítima e quando ele é infrator. O conselho assume quando há falta ou omissão dos pais. Não tem poder de polícia, e sim o dever de zelar pelos direitos da criança e do adolescente.”
Salientou também que a equipe da secretaria, especialmente o Centro Especializado de Assistência Social (Creas), trabalha diretamente com o Conselho Tutelar, que conforme suas palavras, “é o mandatário da sociedade, o braço forte que zela pelos direitos da criança e do adolescente e existe um trabalho de excelência do atual conselho”.
Na tarde de quarta-feira, o Conselho Tutelar atendeu apenas em regime de plantão e atividades internas. Nesta quinta (1º), o expediente volta a funcionar normalmente.





