Aprender a Empreender: projeto transforma evasão escolar em oportunidade do primeiro emprego

Geral
São Lourenço do Oeste (SC) | 05/06/2026 | 11:40

Autor e foto: Angela Maria Curioletti/Portal Minutta

E se você pudesse ter a oportunidade do primeiro emprego ainda durante o período escolar? Sem prejudicar os estudos, sem parar de ir à escola, e ainda podendo ter uma renda pra auxiliar na sua jornada e até mesmo em casa? Esse é um dos objetivos do projeto Aprender a Empreender, que começou em 2023 em São Lourenço do Oeste (SC) e atinge centenas de jovens dos 8º e 9º anos da rede municipal de ensino.

Foi na Escola Básica Municipal (EBM) São Lourenço que o projeto nasceu, com cinco turmas. A professora Rosi Mari Brandalize de Miranda, hoje coordenadora do Aprender a Empreender, explica que o projeto foi criado porque acreditava que era preciso conectar a escola com a realidade do mercado de trabalho e diminuir os casos de evasão escolar.

Em parceria com o Ministério Público, o projeto passou a atender toda a rede municipal de ensino em São Lourenço do Oeste. Entre 2024 e 2026, mais de 1,8 mil alunos já participaram da iniciativa.

Em 2024, o projeto Aprender a Empreender recebeu o 1º lugar no 3º Prêmio José Daura. O reconhecimento vem também de outras formas: já são quatro municípios replicando a iniciativa, sendo Abelardo Luz, Novo Horizonte, Quilombo e Cordilheira Alta.

Desconfiança

No início, ainda no projeto piloto, a coordenadora Rosi Mari lembra que os alunos desconfiaram do projeto, acreditando que se tratava apenas de mais uma atividade diferente na escola, mas que ficaria por isso mesmo. Mas, em poucos meses, quatro alunos foram contratados como menor aprendiz. “Foi uma loucura na escola. Eles começaram a acreditar no projeto e tomou uma dimensão que nem nós acreditávamos na época”, ressalta a coordenadora.

O projeto Aprender a Empreender começou com seis empresas parceiras, e hoje são 65. As empresas participam do programa disponibilizando vagas de menor aprendiz ou com alguma oficina para falar sobre empreendedorismo.

Acreditou no projeto

Elizandra Bortoli, proprietária de uma empresa de administração de condomínios e serviços, participa do projeto há dois anos. Com dois alunos contratados como menor aprendiz, a empresária frisa que vê neles a experiência com os filhos. “Eu vejo pelos meus meninos. Eles tiveram a oportunidade de crescer aqui dentro, vendo tudo isso, eles trabalham comigo desde os 14 anos e deu muito certo. E pensei: por que eu não posso fazer isso por outros menores também?”, explica. 

Outro fator que fez com que a empresária acreditasse do projeto foi pensar no futuro da empresa e das novas gerações. “Eu entendi que posso contribuir desenvolvendo esses jovens pra que seja uma geração diferente. A gente tem muita dificuldade de encontrar profissionais comprometidos, é muito difícil. Então podemos direcionar os jovens desde cedo”, comenta. A empresária diz ter se surpreendido de forma positiva com a experiência e por isso já projeta futuramente a efetivação destes jovens na empresa.

Primeiro emprego

Com 16 anos, Yan Paulo Villani é menor aprendiz na empresa de Elizandra. Ele chegou quando estava no 9º ano, participando do projeto. No início, confessa que o mais difícil foi vencer a timidez, mas agora já está adaptado com o ambiente e os colegas. 

Yan agora está no 1º ano do Ensino Médio e se vê cursando administração ou educação física. Para ele, a experiência com o projeto Aprender a Empreender tem sido fundamental e por isso incentiva outros alunos a participar. “Ele tem o objetivo de fazer você crescer, ele não quer te tirar algo, ele quer te ajudar a melhorar. Eu falaria pros outros abraçarem essa oportunidade.”

E o primeiro salário? Yan ajudou a pagar algumas contas em casa. “Meus pais me incentivam, pedem pra me dedicar bastante no trabalho e mostrar que eu posso sempre melhorar”, conclui.

Instituição parceria

Alyne de Brida, orientadora pedagógica do Senai em São Lourenço do Oeste, fala que o Aprender a Empreender está alinhado com o propósito da instituição de ensino, que inclusive auxilia encaminhando currículos dos alunos participantes para as indústria e organizações parceiras, ampliando as oportunidades para o início da carreira profissional.

Para Alyne, é importante inserir os jovens no mercado de trabalho enquanto eles ainda frequentam a escola. “Estar dentro de uma indústria e do ambiente corporativo ainda nesta fase educacional cria uma ponte entre os conhecimentos e habilidades desenvolvidos na educação básica e o contexto real em que esses jovens estão inseridos. Além disso, é importante destacar que essa oportunidade possibilita ao jovem conquistar sua própria renda, com todos os direitos trabalhistas garantidos, contribuindo para sua autonomia, senso de responsabilidade e desenvolvimento pessoal”, destaca.

Feira

No dia 17 de junho, haverá o lançamento da primeira Feira Municipal do Aprender a Empreender, que deverá ser realizada em novembro deste ano. Exposição de trabalhos, painéis, debate com empresários e outras atividades estão sendo preparadas.