Informações: UOL
Foto: Reprodução/Instagram
Após uma conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Marcelo Queiroga, considerada "extremamente positiva", os dois acertaram que o médico vai substituir o general Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde, em meio ao pior momento da pandemia de coronavírus no Brasil.
No início da noite desta segunda-feira (15), o presidente confirmou a apoiadores a indicação e disse que ele conhece o cardiologista "há alguns anos". "Então, não é uma pessoa que eu tomei conhecimento há pouco tempo. Tem tudo, no meu entender, para fazer um bom trabalho dando prosseguimento em tudo que o Pazuello fez até hoje", disse.
Pazuello deixa o cargo de ministro da Saúde depois de dez meses no comando da pasta — quatro deles interinamente. Ele assumiu em maio após a saída de Nelson Teich, que, por usa vez, havia substituído Luiz Henrique Mandetta — ambos deixaram o cargo por divergência com Bolsonaro em relação à gestão do governo federal no enfrentamento da crise sanitária.
Segundo interlocutores do presidente ouvidos pelo UOL, que confirmaram o acerto mais cedo, o governo quer afastar que a indicação de Queiroga tenha partido do centrão — grupo informal alinhado ao governo Bolsonaro em troca de espaço na administração pública. Apesar disso, assessores palacianos admitiram que também nesta segunda-feira, em conversa com Bolsonaro, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), referendou a indicação e fez elogios ao médico.
Elogios a Pazuello
Bolsonaro, que durante muito tempo resistiu em trocar Pazuello do comando da Saúde, fez elogios ao ainda ministro. "A parte de gestão foi muito bem feita por ele [Pazuello] e agora vamos partir para uma parte mais agressiva no tocante ao combate ao vírus. Então, anuncio agora que o doutor Marcelo Queiroga, a partir de amanhã, vai ser publicação em Diário Oficial da União. E começa então uma transição que vai demorar, aí, uma ou duas semanas", afirmou no início desta noite.
A ordem que não haja correria na transição, já que a pasta da saúde é a responsável pelas ações de combate a pandemia. Nas palavras de um auxiliar militar, a transição será tranquila, "É como no quartel: vai levar de cinco a oito dias para passar a função".
Quem é Marcelo Queiroga
Marcelo Queiroga é o atual presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia e tem bom trânsito em Brasília e no governo, tendo sido convidado este ano para integrar a direção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ele é graduado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba. É especialista em cardiologia e tem doutorado em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal. Atualmente, dirige o departamento de hemodinâmica e cardiologia intervencionista (Cardiocenter) do Hospital Alberto Urquiza Wanderley (Unimed João Pessoa) e é médico cardiologista intervencionista no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, também na Paraíba.
Queiroga defende o isolamento social como forma de combate à pandemia. Ele também já se posicionou contrário ao "tratamento precoce" defendido por Bolsonaro à base de cloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a covid-19.



