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A Associação Chapecoense de Futebol emitiu nota de repúdio a respeito das falas de Arthur Weintraub, ex-assessor especial da Presidência da República e candidato a deputado federal pelo PMD em São Paulo. Ele associou o acidente aéreo envolvendo o time de Chapecó (SC) em 2016, na Colômbia, com o narcotráfico.
Weintraub afirmou em seu canal no YouTube que o voo 2933 da LaMia, que decolou de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com destino a Medellín, levando a delegação da Chapecoense, jornalistas e convidados, caiu em razão do sobrepeso de duas toneladas de cocaína que estariam na aeronave. No entanto, não apresentou provas. Inclusive, autoridades brasileiras desconhecem da informação.
O advogado afirmou no vídeo que a droga estava “sendo transportada sem que o piloto ou a equipe soubessem” e que tomou conhecimento da informação quando era secretário de Segurança da Organização dos Estados Americanos, em Washington.
“Isso chegou ao meu conhecimento por causa de um relatório de um policial. O piloto do avião, inclusive, era da Força Aérea Boliviana. Ele sabia pilotar, ele nunca ia deixar um avião cair por falta de combustível. Como ele não sabia das duas toneladas a mais, aconteceu a tragédia”, disse o advogado.
Ele diz ainda que se for eleito deputado federal usará o cargo como megafone “para falar muito mais coisas que vi e ninguém está querendo falar deste narco estado que é o Brasil”. O vídeo foi publicado na rede social no dia 2 de setembro.
Chapecoense
Em nota, o clube considerou a fala do candidato como “declarações irresponsáveis, malfadadas e caluniosas”. Disse ainda que “mais do que repudiar as absurdas manifestações do referido candidato, o clube lamenta a insensatez do mesmo ao utilizar um fato tão sensível na tentativa de promover uma candidatura”.
Quem é Arthur
Arthur é irmão do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que atuou no governo de Jair Bolsonaro (PL). Ele é formado em Direito pela Universidade Federal de São Paulo e é apontado como um dos líderes do chamado “gabinete paralelo”.
Arthur e Abraham Weintraub foram morar nos Estados Unidos após o ex-ministro da Educação deixar o cargo, em junho de 2020, em meio à crise da divulgação da reunião ministerial em que ele ameaçou prender os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele responde processo por improbidade administrativa.
Em agosto de 2022, Weintraub reagiu na internet ao saber que passou a ser investigado pela Comissão de Ética Pública do Palácio do Planalto por declarações “antiéticas” nas redes sociais. O procedimento ocorre dois anos após o advogado ter deixado a função pública.
Acidente
A morte de 71 pessoas aconteceu no dia 28 de novembro de 2016. Em 2018, a Aeronáutica Civil da Colômbia informou no relatório final sobre o desastre que o combustível do avião era insuficiente para o voo, e que a empresa aérea não se preparou adequadamente para o voo internacional. Essa teria sido a causa da tragédia, que ficou mundialmente conhecida.





