Casan estava no centro das negociações entre Santa Catarina e Odebrecht, dizem delatores

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Florianópolis | 14/04/2017 | 10:51

Informações: G1 SC
Foto: Reprodução

A Casan estava no centro das negociações entre políticos do estado e a Odebrecht, segundo delações feitas nas investigações da Operação Lava Jato. A promessa da venda de ações da companhia de águas interessava à empreitara e foi usada para pedir dinheiro para campanhas em caixa dois, disseram os delatores.

Em nota, o Governo do Estado afirma que "a versão dos delatores da Odebrecht sobre contribuição para campanha que está sendo noticiada é absurda, carregada de mentiras, ódio e revanchismo. Isso porque em nosso governo não foi celebrado contrato, não foi feito nenhum pagamento, nem foi concedida qualquer vantagem à empresa citada. A Casan não teve uma única ação vendida a quem quer que seja e continua sendo inteiramente pública".

Também diz em nota que "o Governo do Estado não tem nada a esconder. Está pronto para esclarecer todos os pontos de uma eventual investigação, se essa vier a ser instaurada".

As delações foram feitas ao Ministério Público Federal e estão relacionadas ao esquema de irregularidades investigado na Operação Lava Jato. As citações foram feitas pelos delatores Fernando Cunha Reis, ex-diretor da Odebrecht Ambiental, e Paulo Roberto Welzel, ex-diretor da divisão sul da Odebrecht.

Os documentos com as delações foram liberados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da operação. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda analisará se investigará ou não o governador.

Relatos sobre a Casan

Os delatores Fernando Cunha Reis e Paulo Welzel contaram ao Ministério Público que o governador usou a Casan como principal moeda de troca mais de uma vez para abastecer o caixa 2. Segundo as delações, Raimundo Colombo começou pedindo à Odebrecht R$ 2 milhões para a campanha de 2010. Ele foi apresentado aos executivos da empresa por Ênio Branco, na época presidente da Celesc e articulador da campanha. Se Colombo fosse eleito, venderia ações da Casan - um investimento que interessava à Odebrecht, de acordo com os delatores.