Informações e foto: Diário do Sudoeste
Há cerca de 15 anos, um depósito com escórias de chumbo, em Vitorino (PR), está abandonado. O espaço, próximo ao trevo de acesso, numa área industrial, abrigava uma fábrica de baterias, que fechou as portas, deixando para trás a matéria-prima que utilizava.
O depósito é alvo de processos na justiça desde 2003, quando o Ministério Público ingressou com uma ação, por entender que a atividade industrial que existia no espaço era poluidora. Recentemente, uma empresa comprou a área e começou a limpá-la. Nas últimas semanas, contudo, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a prefeitura receberam denúncias sobre movimentações irregulares no depósito.
Esta semana, o IAP fez vistorias e constatou algumas irregularidades no manejo dos resíduos e pediu adequações. Mas, num primeiro momento, não autuou os atuais proprietários, por entender que não foram eles que geraram o passivo ambiental.
“Pedimos que fosse feito levantamento de todo o material que já saiu de lá, a regularização do licenciamento ambiental com plano de remediação da área, e também um croqui das áreas que foram mexidas sem acompanhamento do IAP. Depois, vamos fazer a verificação técnica, para saber se a área está limpa e se pode ser liberada para outra edificação”, afirmou o engenheiro químico do IAP, William Machado.
O material presente no depósito deverá ser encaminhado para um aterro industrial. Depois disso, o IAP pedirá estudos de solo em várias profundidades, para verificar se há contaminação por chumbo. O risco existe, conforme o engenheiro agrônomo do município, Marciano Votri. “Só uma análise vai dizer se existe contaminação. A expectativa do município é que seja retirado o material e destinado da forma adequada”.
Machado complementa que a possibilidade de contaminação se dá pelo tempo em que o material ficou armazenado e pelo contato com a água da chuva. Mas ele pondera que só um estudo poderá revelar se existe e, caso positivo, em qual nível.
Durante a vistoria, o IAP constatou a existência de rejeito de escória de fundição, rejeito de produtos sucateados e o próprio chumbo. Quando o espaço estiver limpo, o IAP também verificará a veracidade de outra denúncia, a de que parte do material teria sido enterrada.
O chumbo
Trata-se de um metal tóxico, pesado, macio, maleável e mau condutor de eletricidade. É usado na construção civil, baterias de ácido, em munição, proteção contra raios-X e raios gamma e forma parte de ligas metálicas para a produção de soldas, fusíveis, revestimentos de cabos elétricos, materiais antifricção, metais de tipografia, etc. O chumbo não apresenta nenhuma função essencial conhecida no corpo humano. É extremamente danoso quando absorvido pelo organismo através da comida, ar ou água. Por isso, materiais e dispositivos que contém chumbo não podem ser descartados ao ambiente.
Um dos vários órgãos afetados pelo chumbo é o Sistema Nervoso Central (SNC). Muita da sua toxicidade no SNC pode ser atribuída à alteração de enzimas e proteínas estruturais.
O chumbo é um dos mais perigosos metais tóxicos pela quantidade e severidade dos seus efeitos. É classicamente uma toxina crônica, sendo observados poucos efeitos após uma exposição aguda a níveis relativamente baixos. A toxicidade induzida pelo chumbo vai depender não só da dose e duração da exposição mas também da idade do indivíduo exposto, estado de saúde e estado nutricional.





