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O desaparecimento do avião ocupado por três brasileiros, na província de Chubut, na Argentina, completou dois meses nesta segunda-feira (6), sem respostas. À bordo da aeronave estavam o empresário de Florianópolis (SC) Antônio Carlos Castro Ramos, o advogado Mário Pinho e o médico Gian Carlos Nercolini.
O voo saiu de El Calafate, na província de Santa Cruz, com destino a Trelew, ambas no Sul da Argentina. O último contato registrado foi com o Centro de Controle de Área (CCA) de Comodoro Rivadavia, nas proximidades da área da Bahia Bustamante. Todos os ocupantes estiveram em um festival no aeroclube da cidade.
O CCA alertou o serviço de busca e salvamento após várias tentativas de comunicação, mas sem sucesso. O alerta foi ativado e o protocolo de busca pela aeronave também. As buscas começaram no mesmo dia. A procura pela aeronave RV-10 de pequeno porte, registrada em nome de Antônio Ramos, mobilizou autoridades argentinas e brasileiras por ar, terra e mar.
Por fim, as buscas foram redirecionadas para alto mar após a Polícia Civil de Santa Catarina detectar o sinal do celular de um dos passageiros a dois quilômetros da costa de Comodoro Rivadavia. No entanto, não foi encontrado nenhum rastro da aeronave ou dos tripulantes.
Condições climáticas desfavoráveis
À época do desaparecimento, o presidente do Aeroclube de El Calafete, Freddy Vergnolle, contou que as condições climáticas no momento da decolagem não eram das melhores para o voo. Estavam previstas chuvas fortes combinadas com rajadas de vento. Ele concedeu entrevista para a Rádio 3, e disse, inclusive, que o plano de voo mostrou que o trio teria decidido pousar em um aeroporto alternativo na cidade de Puerto Deseado, cerca de 600 quilômetro antes do destino final. No entanto, o presidente acrescenta que percebeu que eles acabaram voltando ao plano inicial, que era de voar até Trelew.
Suspeitas do desaparecimento
Em entrevista a rádio argentina LU12 AM680, o piloto comercial Christian Argañaraz apontou fragilidades no avião modelo RV-10, indicando suspeitas para o desaparecimento. Conforme Argañaraz, as hélices destas aeronaves não contam com o chamado sistema de proteção antigelo. O “congelamento” pode ocorrer diante das baixas temperaturas em grandes altitudes, e é responsável por provocar a queda de aviões – durante a entrevista o piloto listou alguns casos ocorridos na região. “Ao perder a aerodinâmica da asa, perde-se sustentação e o avião cai automaticamente. Não há como planar. Nesse caso, você não tem escolha, o avião cai”, disse. A hipótese é de que a aeronave catarinense tenha caído no fundo do mar.
Buscas pelo avião
No 6º após o desaparecimento, a procura foi encerrada pela EANA (Empresa Argentina de Navegação Aérea). A empresa, que pertence ao Ministério de Transporte da Argentina, administra o tráfego aéreo no país e coordenava as buscas. Em nota a empresa mencionou que “apesar dos esforços realizados, não foi possível encontrar nenhum rastro da aeronave e nem seus ocupantes”.
As más condições meteorológicas, apontadas como responsáveis pelo desaparecimento da aeronave, se mantiveram durante as buscas. As intempéries, dessa forma, dificultaram os trabalhos de procura pela aeronave. O diretor da Defesa Civil de Chubut, José Mazzei, no entanto, informou logo na sequência, que o governo provincial iria continuar com os trabalhos.
No dia 12 de abril, o governador Carlos Moisés entrou em contato com o ministro das relações exteriores, Carlos Alberto França, solicitando a intervenção do Itamaraty na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, para que o órgão na Argentina intercedesse nas buscas pelo avião. O chefe do Executivo também colocou agentes e equipamentos do Estado à disposição das operações. No dia seguinte, o Ministério das Relações Exteriores garantiu que as buscas pelo avião iriam continuar.
Familiares dos três ocupantes da aeronave se deslocaram para a Argentina para acompanhar os trabalhos. O cruzamento de dados com antenas da região indicou a localização do telefone celular de um dos ocupantes da aeronave, a leste da cidade de Comodoro Rivadavia, em alto mar. Equipamentos de imagens subaquáticas, robô e câmeras de arrasto auxiliaram nas buscas. Porém, não houve sucesso na localização da aeronave. A Polícia Civil de Santa Catarina, que prestou auxílio às buscas, informou nesta segunda, que não há novidades a respeito do desaparecimento do avião.
O diretor da Defesa Civil de Chubut, José Mazzei, disse que enquanto houver desaparecidos, até que se encontre os corpos, as buscas “jamais serão encerradas”, só se aguarda o surgimento de algum novo indício para que se avalie os recursos para a retomada.





