Informações e foto: MB Comunicação
Nesta quarta-feira (20), em Chapecó, os presidentes da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Marcos Antônio Zordan, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) José Zeferino Pedrozo e Coopercentral Aurora Alimentos e diretoria de agronegócio da Fiesc, Mário Lanznaster, entregaram um documento ao governador Raimundo Colombo.
Juntos, os presidentes relataram o perigo real e iminente que assusta o agronegócio catarinense representado pelo grave quadro de superencarecimento de milho que assola violentamente as maiores cadeias produtivas de Santa Catarina e ameaça causar pesados e irreversíveis prejuízos à avicultura e à suinocultura.
Eles alegam que é preciso ações imediatas. Dizem ainda que os principais agentes econômicos dessas cadeias produtivas – os produtores rurais e as agroindústrias – foram surpreendidos pelas rápidas e imprevisíveis mudanças do mercado, o que fez o preço do milho saltar de R$ 27 a saca em outubro para R$ 42 em janeiro deste ano.
Segundo os dirigentes, esse aumento superior a 50% em apenas 90 dias tem origem na taxa cambial, fruto da gestão macroeconômica do governo Federal, que instituiu um novo parâmetro nesse mercado: “o preço do porto”. À rigor, nesse momento, não há escassez nem excesso de milho no mercado, contudo, lideranças alegam que a opção pela exportação drenou 30 milhões de toneladas do mercado doméstico para o mercado internacional. Dessa forma, os criadores de aves e suínos e as indústrias pagam, desde o ano passado, o valor correspondente à cotação internacional para comprar milho destinado a sua transformação em carne.
Os dirigentes assinalam que a procura mundial pelo grão tornou o Brasil o segundo maior exportador de milho do mundo, arrecadando bilhões em divisas externas. Mas isso tem um preço: a produção interna de carnes sofre pela elevação do custo. O milho existe no mercado, mas seu preço é absurdamente elevado: a saca está sendo vendida a até R$ 46 em algumas regiões.
A situação, que afeta todo o país, é mais grave em Santa Catarina que está longe de obter autossuficiência em milho. O Estado é hoje o maior comprador de milho dentro do Brasil. Santa Catarina possui o mais avançado parque agroindustrial do país, representado pelas avançadas cadeias produtivas da avicultura e da suinocultura. Essa estrutura gera uma riqueza econômica de mais de um bilhão de aves e 12 milhões de suínos por ano, sustenta mais de 150 mil empregos diretos e indiretos e gera bilhões de reais em movimento econômico.
Produção despenca em SC
Nesse cenário de intenso consumo de milho, a produção do milho cai continuamente há dez anos. Em 2005, 106 mil produtores rurais catarinenses cultivavam 800 mil hectares com milho e colhiam entre 3,8 e quatro milhões de toneladas. Nessa década, a área plantada foi se reduzindo paulatinamente e, em 2015, foram cultivados 340 mil hectares de lavouras para uma produção estimada em 2,5 milhões a três milhões de toneladas – cerca de 40% desse volume nem sai da propriedade e é transformada em silagem para nutrição do gado leiteiro.
Como o Estado consome em torno de 6 milhões de toneladas e haverá uma produção interna de 2,5 milhões, haverá uma necessidade de importação de 3,5 milhões de toneladas de milho.
A Ocesc, Faesc e Aurora alertam que “o elevadíssimo custo do milho está inviabilizando dezenas de pequenas e médias indústrias frigoríficas e tornando insolventes milhares de produtores rurais.” E advertem que o governo cometerá um grave erro se considerar essa crise apenas “um problema do mercado”. A avicultura industrial e a suinocultura industrial são os setores que empregam intensa mão de obra no campo e nas indústrias de processamento.
Medidas
As entidades reivindicam duas medidas urgentes formalizadas em documento entregue ao governador Raimundo Colombo nessa quarta, em Chapecó, que se comprometeu em levar ao governo federal. Uma, é a intervenção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no sentido de abrir leilões para venda de milho e promover a transferência dos estoques do Centro-Oeste brasileiro para o Sul. A outra, é a concessão de subsídio de R$ 10 por saca de milho transportada do Centro-Oeste para Santa Catarina a ser deduzida dos créditos de PIS e Cofins que as indústrias da carne têm junto a Receita Federal.






