Informações: UOL
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O ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta sexta-feira (15). A saída do ministro acontece menos de um mês após ele substituir Luiz Henrique Mandetta na pasta e sua saída já vinha sendo cogitada havia alguns dias. Uma entrevista coletiva está marcada para esta tarde no ministério para esclarecer a exoneração.
Inicialmente, uma nota divulgada pela assessoria de imprensa do ministério informava que Teich pediu demissão. Pouco depois, porém, uma fonte da pasta disse que o oncologista foi demitido em uma reunião de última hora com Bolsonaro para a qual foi convocado nesta manhã. Nenhum dos dois ainda se manifestou publicamente sobre a decisão. O ministro da Casa Civil, Braga Netto, disse ao UOL que Teich pediu para deixar o cargo.
Como Mandetta, Teich defendeu publicamente posições contrárias às do presidente. Além de afirmar que o distanciamento social deveria ser uma medida de combate à pandemia do novo coronavírus — enquanto Bolsonaro defende que apenas pessoas do grupo de risco fiquem em isolamento —, Teich postou em uma rede social nesta semana que o uso da cloroquina no tratamento contra a covid-19 deve ser feito com restrições, já que a substância pode desencadear efeitos colaterais. O presidente, por sua vez, é um dos principais defensores da medicação.
No momento em que a demissão de Teich foi anunciada, Bolsonaro estava participando do lançamento de uma campanha de conscientização contra a violência doméstica feita pelo Ministério da Mulher e da Família. Ele estava acompanhado de sua mulher, Michelle Bolsonaro, e dos ministros Onyx Lorenzoni e Damares Alves e não falou no evento.
Um dos nomes cotados para assumir o comando do ministério da Saúde é o atual número dois da pasta, o general de divisão Eduardo Pazuello. Segundo a colunista do UOL Carla Araújo, o nome do militar conta com o apoio dos generais que ocupam ministérios no Palácio do Planalto. Braga Netto afirmou que Pazuello assume interinamente o cargo. Outra possível substituta, a médica Nise Yamaguchi, defensora da cloroquina e que havia sido cotada para assumir o ministério com a demissão de Mandetta, esteve no Palácio do Planalto hoje.
Divergência sobre uso da cloroquina
Hoje cedo, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que o protocolo de uso da cloroquina seria mudado pelo Ministério da Saúde, apesar de Teich ter alertado para a falta de comprovação científica de eficácia e os efeitos colaterais. O presidente quer a inclusão do uso desde os primeiros sintomas do coronavírus.
"O protocolo deve ser mudado hoje porque o Conselho Federal de Medicina diz que pode usar desde o começo então. É direito do paciente. O médico na ponta da linha é escravo do protocolo. Se ele usa algo diferente do que está ali e o paciente tem alguma complicação ele pode ser processado", disse.






