Farmacêutico é preso acusado de falsificar receitas e vender remédios vencidos

Policial
Pato Branco | 11/11/2016 | 15:40

Informações: Diário do Sudoeste
Foto: Adenir Brocco/Diário do Sudoeste

Após um trabalho de investigação que iniciou em agosto deste ano, a Polícia Civil de Pato Branco (PR), com apoio da Denarc, realizou na tarde de quinta-feira (10) a Operação Asclépio. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na residência e na farmácia do farmacêutico acusado de falsificar receituários e carimbos de dois médicos e vender remédios vencidos ou estrangeiros sem prescrição médica.

As buscas também ocorreram na casa de um funcionário do farmacêutico e numa farmácia popular, onde ele adquiria remédios com receituários falsos para revender na sua farmácia. Neste local, a Polícia Civil descobriu uma sala secreta com medicamentos vencidos.

O delegado-adjunto da 5ª Subdivisão Policial (SDP)), Nilmar Manfrin da Silva, que comandou a operação, informou que foram encontrados na sala secreta da farmácia e na residência do farmacêutico Neumar Schwambach, acusado na operação, milhares de medicamentos vencidos ou de origem estrangeira, inclusive tarja preta, que eram revendidos sem prescrição médica. Também foram encontradas munições de arma de fogo calibres 9mm, uso restrito, 38 e ponto 635. “Em função disso, ele foi autuado em flagrante e, ao ser interrogado, permaneceu em silêncio. Agora tudo será encaminhado à Justiça Federal, em função dos crimes de competência federal, sendo que a Polícia Federal deverá dar continuidade nas investigações”, afirmou.

Investigação

O delegado Manfrin informou que as investigações iniciaram em agosto, quando um médico registrou um Boletim de Ocorrência (BO) noticiando a falsificação de sua receita médica e carimbo. Posteriormente, outra médica foi à delegacia registrar queixa pelo mesmo motivo.

Manfrin afirmou que, durante a investigação, ouviram diversas pessoas e entraram em contato com a Vigilância Sanitária, quando conseguiram identificar a farmácia que estaria fabricando os receituários falsos de médicos, clínicas particulares e até da prefeitura de Pato Branco, com os medicamentos vendidos sem a prescrição médica. Ele acrescentou que o acusado também responde por falsidade ideológica, ministrar medicamentos sem autorização legal e ainda falsidade documental em função dos receituários fabricados, além da suspeita de crime contra o programa do governo federal de farmácia popular.

Ele adquiria medicamentos em seu nome, da esposa e funcionários em farmácias de preço popular e revendia na sua farmácia. Também existem indícios de que as pessoas iam até a farmácia dele e se cadastravam para receber os medicamentos da farmácia popular. O acusado tirava cópia e fazia um cadastro dessas pessoas na sua farmácia. Ou seja, o farmacêutico continuava recebendo os remédios mesmo sem as pessoas retornarem na farmácia.

Estrangeiros

O delegado informou que os policiais também encontraram em poder do acusado medicamentos de três espécies de origem da Argentina, pelos quais, segundo informações coletadas, ele revendia sem nenhuma autorização legal motivo pelo qual também foi autuado. A Polícia Civil vai investigar se ele ia até o país buscar os medicamentos ou chegavam até a farmácia dele por outra pessoa. Por hora, foi realizada a operação com poio a Vigilância Sanitária e o Conselho Regional de Farmácia já foi acionado.

O acusado tem direito a cela especial e ao ser interrogado não abriu mão desse direito. A 5ª SDP não tem uma cela especial, em função disso os advogados entraram em contado com o 3º BPM, que se disponibilizou a recebê-lo, local onde permanecerá preso à disposição da Justiça.

Sala secreta

Os medicamentos com prazo vencido ficavam numa sala secreta na farmácia, localizada na rua Tapajós, centro de Pato Branco. Quando o cliente chegava e pedia o medicamento, o acusado ia até essa sala secreta, pegava o medicamento vencido e comercializava.

Falsificação formulários

Pelo que foi levantado pelo delegado Manfrin, as informações são de que ele fabricava os formulários na própria farmácia, mas com o aumento do volume passou a fazer a impressão dos formulários em gráfica, inclusive ainda dentro do pacote.