Gasolina não acompanha corte da Petrobras em SC; imposto estadual é um dos motivos

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Santa Catarina | 25/02/2026 | 08:40

Informações: NSC
Foto: Reprodução/Internet

Apesar da redução de 5,2% no preço da gasolina, anunciada pela Petrobras em janeiro, o desconto ainda não chegou até as bombas dos postos de combustíveis de Santa Catarina. Especialistas revelam que alguns fatores, como o aumento de imposto estadual, podem explicar a situação.

O desconto oferecido pela Petrobras engloba uma das etapas de produção da gasolina. O desconto de 5,2% passou a valer, a partir de 27 de janeiro deste ano, para o produto saindo das refinarias para as distribuidoras. O anúncio gerou expectativa nos consumidores catarinenses, mas a cadeia não seguiu a redução.

Algumas cidades chegaram a registrar alta no preço nas últimas semanas. Pesquisas realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram um aumento de R$ 0,16 no preço médio da gasolina comum no maior município do Estado, Joinville.

As únicas cidades que registraram uma pequena queda no preço da gasolina foram Mafra, no Planalto Norte catarinense, e São José, na Grande Florianópolis.

Por que o preço da gasolina não baixou

O presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro PR/SC), Alexandro Guilherme Jorge, explica que diversos fatores contribuíram para que o preço da gasolina não registrasse queda em Santa Catarina no início deste ano. Segundo ele, o principal motivo foi o aumento do ICMS anunciado pelo Governo do Estado.

O ICMS é um reajuste anual cobrado em todos os estados por meio de um valor fixo sobre o litro do combustível. O valor fixo, que até o fim do ano passado era de R$ 1,47 por litro, passou para R$ 1,57 no início de 2026.

"Desde 2022, o ICMS tem uma alíquota fixa para todos os estados e tem subido sistematicamente dez centavos por ano. Essa decisão é tomada pelos secretários de fazenda dos estados. Então, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) definiu pelo aumento pelo terceiro ano consecutivo. Isso explica parte desse não repasse: ao mesmo tempo que se diminui o preço, aumentou o imposto", explica Jorge.

Jorge ainda esclarece que o desconto nas bombas poderia ser ainda maior por conta da composição da gasolina nas bombas, que tem 30% álcool (etanol anidro). Na avaliação do presidente do Sindipetro, a redução da Petrobras também tem efeito indireto para queda do preço do álcool, porque as usinas acompanham as oscilações do preço da gasolina.

Já o economista Enio Coan explica que a análise é bastante complexa, já que são muitas as variáveis que impactam diretamente no preço do combustível.

"É o preço do petróleo, que é uma comoditie internacional, é a nossa inflação interna, o preço do dólar, o câmbio interno brasileiro e mais a política de lucros a custos da Petrobras. E também os impostos do governo. Esse pacote de custos faz o preço da gasolina", afirma Coan.

Investigação em SC

O Procon de Santa Catarina informou que acompanha a variação de preços da gasolina. O órgão irá formalizar um acordo com a Secretaria de Fazenda para ter acesso mais facilitado aos preços praticados pelos postos do Estado. Em 2025, oito estabelecimentos foram autuados pelo órgão por praticarem preços abusivos.