Hospital da Fundação paralisa atividades em forma de protesto pela falta de recursos

Geral
São Lourenço do Oeste | 29/06/2015 | 13:57

Autor e foto: Marcelo Coan

Em forma de protesto pela falta de repasse de recursos, principalmente para o custeio das atividades, nesta segunda-feira (29), às 10h, toda a equipe do Hospital da Fundação de São Lourenço do Oeste paralisou as atividades por meia hora.

Segundo o diretor, Nelson Moresco, isso é uma forma de chamar a atenção das autoridades para a situação em que se encontra a área da saúde. Com o lema “Acesso a saúde: O meu direito é um dever do governo”, Moresco disse que a intenção é conscientizar todas as lideranças políticas de que o setor passa por dificuldades. “Precisamos de mais recursos do IAC [Incentivo de Adesão à Contratualização] e o reajuste na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse lembrando que essas são as principais reivindicações.

Sobre a paralisação, Moresco explicou que é uma forma de a sociedade perceber a real situação da entidade. Disse também que o setor sofre há anos, mas graças ao apoio da comunidade tem conseguido se manter na atividade. “A sociedade fez o papel dela, a diretoria e os funcionários estão fazendo o seu papel, mas o governo precisa investir mais recursos”, reclamou ele.

A ideia agora é que prevaleça a pressão política. O diretor do hospital pede que todos exerçam o seu papel de cidadão e cobrem dos políticos uma maior atenção para a entidade hospitalar.

Eraldo Antunes, promotor da comarca de São Lourenço do Oeste e curador da Fundação Hospitalar, também participou da paralisação. Segundo ele, o Hospital da Fundação é uma entidade filantrópica e, assim como todas no país, está enfrentando dificuldades, pois no serviço que presta não pode estabelecer preços. “Há situações e procedimentos em que o hospital gasta R$ 100 e recebe R$ 65 do SUS”. Para ele, a tabela SUS está muito defasada.

Como o custo operacional aumenta a cada ano, Antunes adiantou que vai chegar um momento em que muitos unidades filantrópicos terão que fechar as portas. “Aqui a comunidade é solidária e atendeu muitos pedidos do hospital”, disse citando a reforma das unidades de internamento. “Hoje, o serviço de internamento é excelente, mas o custo operacional é elevado”, avalia.

Antunes foi claro ao dizer que o grande problema está na esfera federal. Segundo ele, desde novembro de 2013 o governo federal não repassa o valor de R$ 39 mil por mês da contratualização. “Tem mês que o hospital fecha com déficit de R$ 20 mil. Como que vai sobreviver assim? Há um risco de muitos hospitais fecharem as portas e o nosso é um candidato”, lamenta ele afirmando que isso seria um prejuízo grande para a população é para os municípios da região.

Paralisação

Moresco disse que todas as atividades foram paralisadas por alguns momentos, entretanto, adiantou que a intenção não é prejudicar a sociedade. Conforme ele, a intenção é chamar a atenção para o problema e conscientizar as autoridades para que os recursos sejam destinados conforme prevê a constituição.