Incêndio do teatro em Pato Branco completa um ano

Geral
Pato Branco (PR) | 17/04/2019 | 09:26

Informações e foto: Diário do Sudoeste

Há um ano a população de Pato Branco (PR) acordou de luto. Um incêndio de grandes proporções destruiu o Teatro Municipal Naura Rigon, na madrugada do dia 17 de abril de 2018 e causou grande comoção na cidade.

Além do palco, poltronas, cobertura e estrutura física, o fogo também consumiu as memórias dos pato-branquenses que, desde a sua construção, o tinham como cenário de grandes espetáculos, conquistas profissionais, lazer e entretenimento.

Não há uma única família em Pato Branco que não tenha aplaudido um amigo ou familiar após a colação de grau no palco do Teatro, ou dado boas risadas ou chorado de emoção em um espetáculo. Palestras, musicais, reuniões de pais das escolas, conferências, musicais, shows culturais, tudo era motivo para lotar as poltronas do Naura Rigon. 

Ainda mais se reunia um número grande de público, porque ele era o único que conseguia acolher a todos em sua estrutura. Desde quando velhinho, desgastado pelo tempo, corroído pelo uso, até depois da reforma, com poltronas novas, boa iluminação e ar-condicionado. 
Naquela madrugada, enquanto os bombeiros apagavam o fogo e controlavam a situação, a população observava em silêncio, não acreditando no que estava acontecendo. Afinal, o espaço foi palco das principais manifestações artísticas e culturais desde a década de 1990 e reinaugurado em junho de 2016, após obras de revitalização que custaram ao município investimentos da ordem de R$ 670 mil, em recursos próprios. 

Apesar das chamas, as estruturas da Biblioteca Municipal Professora Helena Braun e do Museu Histórico José Zanella não foram atingidas, não comprometendo, assim, o acervo bibliográfico e histórico de Pato Branco. 

Naquela manhã, inclusive, o prefeito Augustinho Zucchi, lamentando o incêndio, garantiu que o Teatro seria completamente reconstruído. “A partir da semana que vem já estaremos trabalhando em cima de um projeto para refazer o nosso teatro”, enfatizou, há um ano.

Nessa terça-feira (16), no entanto, o secretário de Engenharia e Obras, Frederico Demário Pimpão, explicou que o andamento para a construção do novo Teatro Municipal de Pato Branco se encontra, neste momento, na fase de elaboração dos projetos complementares: hidráulico, elétrico, estrutural, prevenção de incêndio, ar condicionado, enotécnico, entre outros. 

Para atender estas demandas, destacou Frederico, engenheiros das cinco empresas vencedoras do processo licitatório estiveram reunidos, no dia 9 de abril, em Pato Branco, juntamente com a equipe da Secretaria Municipal de Engenharia e Obras para tratarem dos detalhes e conduzirem as próximas etapas.

“A partir de agora, a Secretaria de Engenharia e Obras aguarda a apresentação do pré-projeto para avaliação e ajustes, se necessário. Após a aprovação final do pré-projeto, as empresas têm prazo de 60 a 90 dias para a entrega do projeto finalizado”, ressaltou. 

Seguro

Em relação ao valor do seguro de R$ 2 milhões, pagos em outubro de 2018, Frederico explicou que o mesmo se encontra depositado e aguardando o início das obras para ser utilizado.

Cultura

Mesmo com a estrutura do Teatro em ruínas, o movimento cultural continuou ativo em Pato Branco. Isso porque a Secretaria de Educação e Cultura, através do Departamento de Cultura, não se ateve ao fato e continuou promovendo atividades no município. Mantendo a programação cultural, eventos e cursos de forma contínua, sem comprometer o acesso da população. Para tanto, outros espaços da cidade tornaram-se palco das atividades. 

Movimento dos artistas

Ainda naquela terça-feira triste de 17 de abril de 2018, vários artistas manifestaram pesar e se compadeceram diante da perda pato-branquense. O humorista e ator global Nelson Freitas foi um dos que se pronunciou sobre o assunto, assim como Nany People e Kim Archetti, além de vários artistas locais. 

Freitas chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais, sensibilizado com o ocorrido. O humorista esteve em Pato Branco diversas vezes, inclusive na cerimônia de reinauguração do Teatro, em 2016, e também para participar de uma reunião com produtores nacionais de cinema e lideranças culturais da região Sudoeste, que tinham o intuito de fazer um filme sobre a Revolta dos Posseiros de 1957.

Eliane Gauze, diretora do Departamento de Cultura, contou que naquele mesmo dia Nany People – que esteve em Pato Branco em dezembro de 2017 e realizou espetáculo de stand up comedy no Naura Rigon – ligou de São Paulo e ofereceu fazer um show com renda destinada a reconstrução do Teatro. 

O comediante Kim Archetti, que começou sua carreira em Pato Branco e hoje atua em todo o país também como palestrante e empreendedor, foi outro artista que ofereceu fazer um espetáculo para ajudar a erguer as paredes do Teatro. 

O piano

Outra mobilização destacada por Eliane no ano passado, foi a de bandas de rock da cidade que estariam com a intenção de se mobilizar para ajudar nessa empreitada. De acordo com ela, as bandas estariam organizando um grande evento para arrecadar fundos para comprar um piano, que seria doado ao município. 

Isso porque o piano de cauda Essenfelder que havia no teatro, foi consumido pelo fogo. Ele foi doado ao município após ser adquirido pelo Banestado, em 26 de outubro de 1989 [de acordo com a nota fiscal existente no Departamento de Cultura], quando Carlos Antônio de Almeida Ferreira era presidente do banco.

Uma das últimas vezes que o piano foi utilizado em público foi na apresentação do tenor Breno Bortot e do pianista Bem Hur Cioneck, em dezembro de 2017. Quatro meses depois foi consumido pelas chamas, no incêndio.