Irmãos queriam matar cunhada em Campo Erê; crime terminou em quatro mortes

Policial
Campo Erê (SC) | 23/02/2023 | 12:43

Informações: G1SC
Foto: Redes sociais/Reprodução

A Polícia Civil de Santa Catarina detalhou na quarta-feira (22) a chacina que terminou com a morte de quatro pessoas em Campo Erê (SC) em janeiro deste ano. Conforme as investigações, os dois irmãos que foram indiciados pelas mortes, entre elas, de pais e filha, queriam matar a cunhada, que conseguiu fugir.

O crime ocorreu em 21 de janeiro na comunicade de linha 12 de Novembro, durante à noite. Os disparos ocorreram entre um bar e uma casa. As vítimas foram Emidia dos Santos, 53 anos, Marinalva dos Santos, 18 anos, e Carlos Delfino, 63 anos, que são mãe, filha e pai. Eles foram baleados e morreram. Emídia e Carlos eram separados, mas tiveram quatro filhos juntos. A quarta vítima fatal é Ana Claudia Schultz, 35 anos. Além dos mortos, houve também seis tentativas de homicídio, incluindo uma criança de 3 anos, duas mulheres, de 20 e 55 anos, e três homens, de 26, 41 e 51 anos.

Quem são os indiciados pelos crimes?

Dois homens que são irmãos, de 32 e 38 anos, foram indiciados pela chacina. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados. Conforme as investigações, o mais novo foi quem atirou nas vítimas. O homem de 32 anos, o atirador, morava em Saltinho (SC), a cerca de 27 quilômetros de Campo Erê, e o de 38 anos em Maravilha (SC), a cerca de 55 quilômetros da cidade onde aconteceu a chacina. Para executar as vítimas, o atirador usou uma espingarda. A arma era legal, com registro da Polícia Federal. Ela foi entregue à investigação.

Sobre o crime

Tudo começou com o suicídio do irmão dos indiciados. Esse homem, de acordo com o delegado José Danezi Neto, não aceitava o fim do relacionamento dele com uma mulher que não foi atingida pelos tiros. Essa mulher é familiar das vítimas mortas e conseguiu sair do local do crime antes dos cunhados chegarem no local.

De acordo com o delegado, a vítima Carlos Delfino era pai da mulher que fugiu. Emidia era tia dela e Marinalva meia-irmã. Já Ana Claudia era madrinha de um dos filhos que a mulher alvo do ataque havia tido com o homem que cometeu suicídio. Segundo a Polícia Civil, os dois irmãos suspeitos do crime estão presos preventivamente em unidades prisionais de Santa Catarina.

A dupla foi indiciada por quatro homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) qualificados, por motivo fútil e uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, e seis tentativas de homicídio, incluindo contra uma criança de 3 anos. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou, na quarta-feira, que analisa o inquérito policial. O órgão vai decidir se denuncia os irmãos à Justiça.

Prisão

O irmão mais velho foi preso no mesmo dia do crime. Segundo o delegado, ele se recusou a prestar depoimento, mas forneceu o próprio celular à investigação. No aparelho, a polícia descobriu dois telefonemas curtos, de cerca de 30 segundos cada um, entre os dois irmãos por volta das 20h30. O irmão mais novo e autor dos disparos foi detido em 23 de janeiro. Ele havia fugido após o crime.

Dia da chacina

O delegado relatou como aconteceu a chacina. "Naquela data, às 18h30, quando chegou a notícia do suicídio, um dos irmãos [o de 38 anos] pegou uma faca e foi até o local. Ele disse que queria matar a cunhada e foi um 'Deus nos acuda'. Terminado o atendimento da polícia da morte violenta, o outro irmão, questão de poucos minutos, vem e concretiza as ameaças proferida pelo irmão que havia ameaçado com uma faca".

A residência do irmão que tirou a própria vida fica a cerca de 200 metros do bar e casa aos fundos onde houve os crimes. Pelos depoimentos, a investigação descobriu que o irmão mais velho ficou no local onde aconteceu o suicídio até a saída da Polícia Militar e, depois, ameaçou a todos. "Ele ficou até o final, saiu por volta de 20h30. Os irmãos trocaram figurinhas, um deles estava no local do suicídio, na rua de trás. O executor estava na casa da mãe, a seis quilômetros. Já estava armado, com espingarda. Os dois trocam mensagens e o cara aparece lá [no local da chacina]", explicou o delegado.