Manifestantes fecham trevo da BR-282 em Chapecó; pauta tem estiagem e criação de créditos

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Chapecó (SC) | 16/02/2022 | 14:38

Informações: Diário do Iguaçu
Foto: Polícia Rodoviária Federal

Manifestantes ocuparam na manhã desta quarta-feira (16) o trevo da BR-282 com a BR-480 em Chapecó (SC). Longas filas formaram-se no acesso a cidade. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) esteve no local e negociou com os manifestantes a liberação da pista. De acordo com a PRF, por volta das 10h40 os manifestantes desocuparam a pista e estão às margens da rodovia. Porém, há relatos de ocupação em alguns pontos.

Paralisações

Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Catarina (Fetraf-SC), também há manifestações no Centro de Dionísio Cerqueira (SC) e na BR-163, bem como na BR-116 em Curitibanos (SC). No Rio Grande do Sul, os atos estarão concentrados na capital, Porto Alegre. No Paraná, serão oito municípios mobilizados e no Mato Grosso do Sul, os manifestantes vão bloquear a BR 163.

As manifestações iniciaram simultaneamente na manhã desta quarta-feira (16), às 9h, com término programado para às 16h.

Reivindicações

Em nota, a Fetraf-SC declara que as manifestações têm o objetivo de chamar a atenção dos governos para os danos causados pela crise hídrica, que, segundo esses trabalhadores, afeta a subsistência e sobrevivência das famílias no campo e agrava o avanço da fome no país.

"A categoria decidiu paralisar algumas rodovias federais, principalmente depois da visita da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que esteve na região Sul onde, além de não anunciar medidas, afirmou que 'puxaria a orelha de São Pedro' e recomendou que os agricultores familiares rezassem para chover", destaca um dos trechos.

Promessa não cumprida

Segundo Jandir Selzler, coordenador da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar de Santa Catarina (Fetraf-SC), "a ministra em nenhum momento anunciou qualquer medida de socorro e apenas recebeu nossa pauta de reivindicações após muita insistência", ressalta.

Conforme Selzler, Tereza Cristina prometeu anunciar recursos em 15 dias após a visita no Sul. Segundo as entidades do campo, o anúncio não aconteceu.

Para o governo Federal, os agricultores e agricultoras reivindicam:

- A prorrogação das parcelas vencidas ou vincendas das operações de crédito rural do Plano Safra 2021/2022 para um ano após a última prestação, com subsídio de juros e 80% de rebate;
- A repactuação das dívidas motivadas por eventos climáticos ocorridos de 2008 a 2020, com rebate de 95%;
- A criação de uma linha de crédito emergencial de R$ 40 mil por beneficiário, a juro zero, com até cinco anos de carência, dez anos para pagar e rebate de 30%.
- Garantia no abastecimento de milho via Conab, com subsídio de 40% no valor;
- Aquisição de leite pelo governo Federal via PAA para garantir preço justo pago aos agricultores.

Em Santa Catarina, os trabalhadores e trabalhadoras do campo também reivindicam ações do governador, Carlos Moisés. Conforme a Fetraf-SC, a categoria pede ao governo estadual a anistia das dívidas do Programa Troca-troca e a ampliação dos recursos para minimizar os prejuízos causados pela crise hídrica.

"Os R$ 150 milhões anunciados para 2022 são insuficientes para atender as mais de 100 mil famílias catarinenses afetadas diretamente pela seca. Para atender toda essa demanda de prejuízos, precisamos de pelo menos R$ 500 milhões em recursos", avalia o coordenador da entidade.

Prejuízos

Segundo informações de órgão públicos, os prejuízos vão de 50 a 90% nas principais culturas, como soja, feijão, milho, além de uma queda expressiva na produção de leite por conta da escassez de alimentos para os animais.

Conforme a Fetraf-SC, cerca de 160 municípios do estado são afetados pela estiagem, sendo as maiores perdas registradas na safra do milho, tanto no grão como para silagem.

Segundo a Federação, a queda na produção já supera 50% em diversas lavouras. "São R$ cinco bilhões em perdas já contabilizadas, e este prejuízo aumenta a cada dia", revela Selzler.