Moradora de Irati morreu de Covid-19 após realizar viagem dos sonhos

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Irati (SC) | 04/06/2020 | 08:08

Informações: ND Mais
Foto: Arquivo pessoal

“Eu não morro sem antes fazer essa viagem”. Esta era a frase que os seis filhos de Paulina Debona ouviam constantemente. Aos 75 anos, a moradora de Irati (SC) tinha o sonho de viajar no mar.

No dia 9 de março, Paulina embarcou sozinha em um cruzeiro que navegou pela costa brasileira. Como se fosse uma profecia, a viagem dos sonhos foi sua última realização antes de morrer, no dia 26 de maio, em decorrência da Covid-19, contraída justamente na viagem.

Durante seis décadas e meia, a vida de Paulina foi dedicada ao trabalho na lavoura, aos filhos e ao companheiro. Morando em um sítio no interior de Irati, onde criou todos seus descendentes, “ela pensava mais na família do que nela”, lembra uma das filhas, Ana Paula Debona.

Foi após perder seu marido, em 2010, que a idosa passou a dedicar-se à uma das suas maiores paixões: as viagens. Entre os destinos que conheceu estão praias brasileiras e a cidade de Fortaleza (CE). “De cinco anos pra cá ninguém mais segurava ela. Ela viveu intensamente”, conta a filha.

A melhor viagem

O embarque da sua última viagem foi no dia 9 de março. Paulina sentia um pouco de fraqueza, mas nada a manteve em terra firme, mesmo diante da insistências dos filhos. Ela viajou sozinha e durante os sete dias do cruzeiro dividiu o quarto com a guia que orientava o grupo de passageiros.

A guia, que participou do sepultamento da idosa, conta: “durante uma tarde, Paulina estava deitada. A guia achou que estava séria demais e perguntou o que estava acontecendo. E ela disse que aquela era sua a melhor viagem”. 

Infecção

Uma semana após o retorno da viagem, Paulina passou a apresentar sintomas da Covid-19. Ela foi internada no dia 26 de março, no Hospital Regional do Oeste, em Chapecó (SC), e testou positivo para o vírus. Durante todo o período de internamento, ela ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Com a mãe incomunicável em função do entubamento, os filhos apenas conseguiam falar com as equipes de saúde do hospital. Foi apenas um dia antes da morte dela que os filhos conseguiram ver a mãe, por meio de uma videochamada. Paulina morreu no dia 26 de maio.