Informações: UOL
Foto: Ernesto Carriço
Num novo levantamento publicado nesta quarta-feira (17), a Organização Meteorológica Mundial alerta que o planeta atravessará um período de temperaturas altas inéditas nos próximos cinco anos, com um profundo impacto em diversas regiões do mundo. Na Amazônia, a previsão é de queda do regime de chuvas, com um possível impacto para a agricultura brasileira.
O fenômeno será alimentado pela concentração ainda elevada de gases de efeito estufa que retêm o calor e pelo El Niño, que retorna com força. A entidade já destacou que os últimos oito anos foram os anos mais quentes já registrados. Agora, a agência ligada às Nações Unidas prevê:
Há 66% de probabilidade de que a média anual da temperatura global próxima à superfície entre 2023 e 2027 seja superior a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais por pelo menos um ano. Há uma probabilidade de 98% de que pelo menos um dos próximos cinco anos, e o período de cinco anos como um todo, seja o mais quente já registrado. "Prevê-se que as temperaturas médias globais continuem aumentando, afastando-nos cada vez mais do clima com o qual estamos acostumados.
Em 2022, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas fez um alerta e apontou para os riscos relacionados ao clima para os sistemas naturais e humanos diante de um aquecimento global de 1,5 °C. Diante da constatação, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, deixou claro no final do ano passado que "o mundo está em uma encruzilhada - e nosso planeta está na mira". "Estamos nos aproximando do ponto de não século a 2 °C e, ao mesmo tempo, buscar esforços para limitar o aumento ainda mais a 1,5 °C, para reduzir impactos adversos e perdas e danos relacionados.
Queda de chuvas na Amazônia
Outra constatação é que os próximos anos marcarão anomalias nos regimes de chuvas em várias partes do mundo, inclusive no norte do Brasil. "Os padrões de precipitação previstos para 2023 em relação à média de 1991- 2020 sugerem uma maior chance de redução de chuvas em partes da Indonésia, da Amazônia e da América Central", disse o informe. Para os próximos cinco anos, as previsões de precipitação mostram anomalias de umidade no Sahel, norte da Europa, Alasca e norte da Sibéria, e anomalias de seca para essa estação na Amazônia e oeste da Austrália.
O Sul do Brasil também será afetado. "Entre 2018 e 2022, partes da Ásia, sudeste da América do Norte, nordeste da América do Sul e o Sahel africano foram mais úmidos do que a média, e o sul da África, Austrália, sul da América do Sul, oeste da Europa e partes da América do Norte foram mais secos do que a média", disse. "A Austrália e o sul da América do Sul foram, em sua maioria, mais secos do que a média durante os cinco anos em ambas as estações", constatou.





