Operação apura suposto esquema de fraude em licitações de concursos públicos em SC

Policial
Santa Catarina | 26/05/2026 | 14:05

Informações: Ministério Público

Na manhã desta terça-feira (26), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público, deflagrou a Operação Ponto de Corte para investigar fraudes licitações de concursos públicos em Santa Catarina.

A ação apura a atuação de uma organização criminosa. Seis mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, sendo um em Caçador (SC) e cinco no município de Caxias do Sul (RS), em empresas e residências. 

A investigação teve início a partir de indícios de irregularidades em certames realizados no município de Mirim Doce, estendendo-se posteriormente a outros municípios de Santa Catarina. Conforme apurado, os investigados utilizariam de forma coordenada múltiplas pessoas jurídicas, algumas delas “empresas de fachada”, com o objetivo de simular concorrência e reduzir artificialmente os valores ofertados nos processos licitatórios. 

As investigações indicam que empresas vinculadas a um mesmo núcleo familiar e profissional atuavam de maneira combinada, apresentando lances inexequíveis e, posteriormente, deixando de apresentar a documentação exigida, o que ocasionava desclassificações sucessivas. Com isso, a empresa previamente ajustada permanecia no certame e era reiteradamente declarada vencedora. 

Também foram identificadas contratações diretas por dispensa de licitação, utilizadas como estratégia para ampliar os ganhos do grupo e afastar a disputa de preços. O mesmo padrão de atuação foi constatado em diversos municípios de Santa Catarina, evidenciando atuação estável, reiterada e estruturada, com indícios de divisão de tarefas, controle centralizado das ações e uso de vínculos familiares para ocultar a real estrutura da organização criminosa. 

As condutas investigadas, em tese, configuram os crimes de fraude à licitação, frustração do caráter competitivo dos certames e organização criminosa, sem envolvimento de agentes públicos até o momento.  A operação conta com o apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina, assegurando a preservação da cadeia de custódia e a integridade das evidências arrecadadas para fins de prova.  

O Gaeco de SC recebe apoio operacional do Gaeco do RS e do Batalhão de Polícia de Choque da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, que auxiliam as equipes designadas no cumprimento das ordens judiciais fora de Santa Catarina.  As medidas têm como finalidade a apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos, mídias e outros elementos probatórios relevantes para o esclarecimento da materialidade dos fatos, da autoria e da eventual participação de terceiros. 

Os materiais de relevância investigativa apreendidos durante as diligências serão analisados pelo Gaeco, para dar prosseguimento às diligências investigativas, identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração de eventual rede criminosa.