Informações: UOL
Foto: AFP
A pesquisa, batizada de Nosais, é coordenada pela Escola Nacional Veterinária de Alfort, na região parisiense, a mais renomada do país. A equipe busca auxiliar os cães a reconhecer odores particulares que possam ser emitidos por pacientes do coronavírus.
"Se conseguirmos validar essa experiência, o objetivo é viabilizar uma solução complementar aos testes que já existem", explicou Aymeric Bernard, veterinário e consultor cinotécnico do Serviço de Incêndios e Socorros do Sul da Córsega.
Sete pastores belgas e uma cadela da raça local Cursinu participam dos treinamentos. "Esses cães já são acostumados a procurar pessoas desaparecidas ou feridas em desastres como um desabamento", disse Bernard. Um dos pastores, da polícia, é educado em odorologia e tem experiência em buscar determinados produtos. "Os hospitais precisam de vários tipos de testes confiáveis. Hoje, o teste PCR tem uma confiabilidade de 70%. Precisamos, portanto, poder cruzar esse exame com outros testes", explicou o diretor do hospital de Ajaccio, Jean-Luc Pesce, entusiasmado com a experiência. A Córsega foi uma das regiões francesas mais atingidas pela pandemia de Covid-19.
Como funciona a experiência
Os hospitais da cidade coletarão cerca de 50 compressas colocadas durante alguns minutos sob as axilas de pacientes internados pelo coronavírus. "O interessante é que não há carga viral detectada no suor, logo não há risco de contaminação. O cachorro vai poder atuar de uma maneira segura", ressaltou o veterinário.
As compressas serão colocadas em frascos estéreis, que ficarão por alguns dias ao lado dos brinquedos favoritos dos cães. Os animais respirarão esse cheiro a cada vez que forem buscar seus brinquedos, e poderão associá-los ao odor. Na sequência, os cachorros serão treinados a reconhecer uma compressa que tenha ou não o odor, sentando-se quando a resposta for positiva e permanecendo de pé quando não identificarem o cheiro. A cada vez que acertarem, serão recompensados com seu brinquedo. O treinamento deve se repetir cerca de 50 vezes por dia, nas próximas semanas.
Ao mesmo tempo, a Universidade de Corte, associada ao projeto, vai trabalhar na validação científica do protocolo, para avaliar se os cãs são mesmo capazes de identificar o odor da Covid-19.
Experiências prometedoras
Os cães já são utilizados para detectar diversas doenças crônicas, como alguns tipos de câncer, malária e Mal de Parkinson. "Há pouco tempo, pesquisadores americanos usaram cães para identificar uma doença viral no meio bovino e os resultados foram muito bons", relembra Bernard.






