Informações e foto: Ronda Policial
Na manhã desta terça-feira (2), a Delegacia de Polícia Federal em Dionísio Cerqueira, com participação da Receita Federal, deflagrou a Operação Formiga e cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e 17 mandados de condução coercitiva, expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Federal catarinense de Dionísio Cerqueira e Xanxerê, e Barracão (PR), Santo Antônio do Sudoeste (PR), Francisco Beltrão (PR), Marmeleiro (PR) e Curitiba (PR).
A investigação teve início em 2013 com a descoberta de um galpão no município de Marmeleiro, onde eram estocados produtos trazidos ilegalmente da Argentina, principalmente vinhos e energéticos, para depois serem distribuídos para comerciantes brasileiros. Apurou-se que o transporte até os depósitos era feito em pequenas quantidades, geralmente por veículos de passeio. A partir daí seguiam por caminhões de transportadoras, geralmente acompanhados por notas fiscais falsas.
A investigação mostrou a existência de uma organização criminosa constituída por quatro grupos, que tinham como ponto em comum os fornecedores que atuavam a partir de Barracão e Santo Antônio do Sudoeste, de onde os grupos transportavam as mercadorias para Francisco Beltrão, Marmeleiro e Pato Branco (PR), sendo então distribuídos para compradores de toda a região Sul do país, além de São Paulo.
Uma das práticas do grupo era a corrupção de servidores públicos. Um dos investigados de Santo Antônio do Sudoeste, que mantém um estabelecimento comercial na vizinha cidade argentina de San Antônio, corrompeu um servidor da Receita Federal e dois vigilantes que prestam serviço ao órgão para facilitar a passagem das mercadorias que eram vendidas pelo estabelecimento argentino. Já o investigado que atua em Curitiba, comercializando vinhos da Argentina, corrompeu um policial militar de Dionísio Cerqueira para que este fizesse as funções de informante, assim como eventuais serviços de “batedor” das cargas a ele destinadas. Para esses servidores públicos, a Justiça determinou o afastamento das funções.
Os principais envolvidos no esquema criminoso em 23 meses de investigação movimentaram aproximadamente R$ 18 milhões com a comercialização dos produtos descaminhados, o que importaria num prejuízo estimado de aproximadamente R$ 4,8 milhões ao erário, com a sonegação dos tributos federais (impostos de importação e IPI).
Os envolvidos se acham indiciados no crimes de descaminho (com pena de até quatro anos de reclusão), contrabando (com pena de até cinco anos de reclusão), associação criminosa (com pena de até três anos de reclusão), corrupção ativa (com pena de até 12 anos de reclusão), corrupção passiva (com pena de até 12 anos de reclusão) e lavagem de capitais/dinheiro (com pena de até dez anos de reclusão).


