Por uso indevido da lente, ele teve parasita que come córnea e passou por quatro transplantes

Geral
São Lourenço do Oeste (SC) | 12/01/2026 | 17:33

Autor e foto: Angela Maria Curioletti

"Não tenho certeza de como peguei. Você tem que higienizar bem a mão e secar muito bem ela, né, porque às vezes é ali que fica a contaminação com a lente. E foi ali que eu acabei sendo contaminado por esse protozoário”. Foi assim que Cassius Alexandre Geremia, 42 anos, coordenador financeiro, conta como pegou um parasita que come córnea, em 2023.

O parasita em questão é o protozoário Acanthamoeba spp. Ele é encontrado em ambientes aquáticos variados, como água doce, piscinas, banheiras e até na água da torneira. Como ele se alimenta de proteínas, costuma aderir às lentes de contato e depois "passar" para a córnea, a camada transparente que protege os olhos.

Ceratocone

Ainda na adolescência, Cassius, que mora em São Lourenço do Oeste (SC), foi diagnosticado com ceratocone, uma doença ocular progressiva onde a córnea afina e assume um formato de cone irregular, distorcendo a visão, causando astigmatismo e miopia, e sensibilidade à luz. O uso dos óculos por conta do problema veio somente aos 25 anos.

Antes da lente de contato, o coordenador financeiro usou o Anel de Ferrara (ou anel intraestromal), para tratar o ceratocone. O tratamento foi feito nos dois olhos, mas como em um deles acabou havendo a extrusão (saída do anel), os oftalmologistas optaram por retirar os dois anéis. E só depois disso veio a lente.

Cassius sentia “dores estranhas e intensas”, resume. Depois, veio a dificuldade com a claridade e então começou perder a visão. Ao descobrir que se tratava de um parasita, o tratamento iniciou com um colírio que não é comercializado no Brasil. Porém, o mesmo colírio que estava sendo usado para tratar acabou por lesionar a córnea do olho direito.

Transplantes

O primeiro transplante foi em janeiro de 2023. Entre os anos de 2024 e 2025 vieram outros três. Estes processos foram necessários devido a rejeição da córnea - reação imunológica do corpo ao tecido estranho, a córnea transplantada. A córnea não possui vasos sanguíneos, o que geralmente reduz o risco de rejeição, mas fatores como vascularização prévia ou inflamação aumentam o risco. 

No último transplante, em setembro de 2025, Cassius teve em seu diagnóstico também pressão ocular, causada pelos vários procedimentos em que passou. Diferente dos outros realizados em Pato Branco (PR), este foi em Curitiba (PR). “Então, juntamente com o transplante teve o implante dessa válvula, que faz o escoamento desse líquido dentro do olho."

Rotina

Casado com Janes e pai de Mateus e Murilo, Cassius voltou à rotina de trabalho e família. “De certa maneira a gente tá conseguindo retornar às atividades. Claro, tem a limitação”, conta ele ao explicar que não dirige à noite e não pratica esportes que tenham alto impacto ou contato físico. Agora, a corrida de rua faz parte das suas atividades. Sobre a visão do olho direito, esta foi perdida.

Alerta

O coordenador financeiro conta que houve falha na hora de explicar o manuseio da lente de contato por parte dos profissionais, mas reconhece que também errou. Depois de tudo o que passou, Cassius reforça a importância de procurar um oftalmologista todos os anos e, se for diagnosticado com ceratocone, buscar tratamento o quanto antes.

Higiene e Manuseio de lentes de contato

* Lave bem as mãos com água e sabão neutro e seque com uma toalha limpa antes de manusear as lentes;
* Use apenas soluções multipropósito ou específicas para limpeza, desinfecção e conservação;
* Jamais use água da torneira, soro fisiológico (exceto em casos específicos) ou saliva para limpar/guardar as lentes, pois contêm micro-organismos perigosos;
* Limpe as lentes com a solução, esfregando suavemente e enxaguando bem;
* Remova as lentes antes de dormir, a menos que sejam projetadas para uso noturno (sob orientação médica);
* Não use lentes no chuveiro, piscina, mar ou cachoeira.