Informações: G1SC
Foto: Polícia Militar Rodoviária
O ritmo atual da vacinação contra a Covid-19 em Santa Catarina é o mais baixo dos últimos dois meses. O estado, que já apareceu entre os quatro do país com mais moradores vacinados com as duas doses, passou, esta semana, para oitava posição. Se o ritmo continuar assim, a conclusão da vacinação pode atrasar em até um ano.
Abril foi o mês em que mais doses de vacinas contra o coronavírus chegaram a Santa Catarina. Foram 1.031.200. Foi também o mês em que mais se vacinou: a média móvel de aplicação de doses por dia chegou a 40.260. Maio ainda nem terminou e o estado já recebeu quase a mesma quantidade de doses: 952.760. Mas o ritmo da vacinação, ao contrário, despencou. A média de aplicação diária está em 20.721.
O superintendente da Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Eduardo Macário, explica que o ritmo mais lento está relacionado às segundas doses. "As pessoas que receberam a primeira dose há 12 semanas [da vacina AstraZeneca] estão sendo vacinadas. Algumas estão com dez, nove semanas. E como não temos garantia até o fim de junho de receber novas doses, nós precisamos garantir que as pessoas, assim que completem 12 semanas exatamente, na data elas recebam a segunda dose da vacina da AstraZeneca. Por conta disso, nós tivemos que reter a distribuição dessas doses", diz.
A produção das duas vacinas contra a Covid-19 feitas no Brasil está parada por falta de matéria-prima. A CoronaVac não é fabricada há quase um mês e precisa de 15 a 20 dias para ficar pronta.
A FioCruz ainda tem doses da vacina Oxford/AstraZeneca para entregar ao Ministério da Saúde, mas a produção de novas parou na quinta (20). As duas devem ser retomadas na semana que vem com a chegada dos insumos da China. Já o imunizante da Pfizer, que tem vindo em menor quantidade, é entregue em Santa Catarina para 11 cidades.
Apesar de afirmar que o estado está reservando doses para garantir a imunização completa, os boletins da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) mostram está se aplicando bem mais a primeira dose do que a segunda. Foram 33 mil da primeira e seis mil da segunda na última semana. O superintendente explica que essa diferença vai começar a diminuir nas próximas semanas.
"Boa parte da dose 2 vai ser aplicada agora na semana que vem. É o resultado da segunda remessa da Fiocruz que foi recebida aqui no estado. Por conta disso, a partir da semana que vem terá um grande número de pessoas, cerca de 50 mil com segunda dose. E até o final de junho, a previsão é mais 500 mil pessoas com dose 2", diz Macário.
Atraso
Se o estado tivesse mantido a média da vacinação de abril, toda a população catarinense estaria imunizada até janeiro do ano que vem. Mas a média caiu pela metade e isso altera e muito a previsão para retomada da vida antes da pandemia. Ou Santa Catarina recupera o ritmo ou a imunização no estado só estará completa em dezembro de 2022. Um atraso de quase um ano.
"Pelos postos disponibilizados, tranquilamente Santa Catarina poderia aplicar 50 mil vacinas por dia, e está aplicando 20 mil. De fato você vai postergar uma vacinação, se continuar nesse ritmo, para até o final de 2022, com todas as consequências que isso tem. Principalmente a consequência de continuar com a pandemia e de continuar com os efeitos econômicos e sociais dela", afirma o economista Lauro Mattei.
A desaceleração na fabricação de vacinas acontece num momento considerado perigoso por especialistas e pelo próprio secretário estadual de Saúde, André Motta, que já admitiu o risco de uma nova onda da doença.
"O que nos coloca numa posição muito vulnerável a uma nova onda de casos é que nós estacionamos em um patamar muito elevado de casos. Manter a pandemia no estado com número de casos tão elevado é sempre um risco porque você tenciona o sistema de saúde para além da sua possibilidade efetiva de resposta", explica o professor de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Fabrício Menegon.






