Secretário de Saúde diz que SC não chegou ao pico da pandemia de Covid-19

Geral
Santa Catarina | 07/07/2020 | 21:05

Informações: G1SC
Foto: Reprodução

O secretário de Saúde, André Motta Ribeiro, disse nesta terça-feira (7) que não há sinalização de que Santa Catarina tenha chegado ao pico da pandemia. Em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina, Ribeiro falou ainda sobre a adoção de medicamentos supostamente preventivos adotados por prefeituras no combate ao coronavírus. "Nós desconhecemos qualquer tipo de tratamento preventivo, a não ser isolamento social e etiqueta respiratória", disse Ribeiro.

O secretário de Saúde destacou que os protocolos clínicos instituídos pelos gestores públicos devem ter a chancela de órgãos regulamentadores, mas disse que notas técnicas orientativas "podem e devem ocorrer".

Ele disse ainda que os pacientes com suspeita de Covid-19 precisam ser diagnosticados corretamente, monitorados e destacou que cada paciente apresenta um quadro individual. "Apesar de nós termos alguns locais mostrando ter benefício com algum tipo de abordagem, o fundamental disso é que a decisão é do médico, do paciente. Mas até esse momento, não existe nada cientificamento comprovado para a prevenção", afirmou.

Para ele, atualmente o estado vive um período de aceleração da transmissão da Covid-19. "Hoje a nossa taxa varia de 1,16 no melhor cenário e 1,30 no pior cenário. Isso significa transmissão exponencial e, por consequência do aumenta do número de casos, aumenta o número de óbitos", disse.

Distribuição de leitos aos municípios

Nesta terça-feira, a ocupação dos leitos em Florianópolis chegou a 90%, conforme dados do Covidômetro — plataforma mantida pela prefeitura que acompanha a situação da pandemia. Ribeiro afirmou que deve se reunir com os prefeitos e secretários municipais de Saúde da Grande Florianópolis nesta quarta-feira (8) para discutir as ações.

O secretário disse que em todo o estado o governo tem feito o aporte de recursos e discutido a situação com os hospitais. Ele destacou que a implantação de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) depende também de pré-requisitos e necessidades técnicas, além dos leitos e respiradores.

"Nós temos uma dificuldade que é própria das unidades hospitalares e dos municípios, porque não basta ofertar recurso e respiradores. Nós precisamos de insumos e principalmente RH [recursos humanos], essa é uma dificuldade local (...) O que nós precisamos entender é quais os hospitais que, de fato, podem aumentar leitos, tem uma diferença entre querer e poder", afirmou.

O planejamento inicial previa a oferta de 700 leitos no estado, mas se houver necessidade o número pode ser ampliado, segundo ele. Atualmente, 570 deles já foram ativados, de acordo com o secretário.

Também durante o Bom Dia Santa Catarina, o presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Orildo Severgnini, afirmou que os municípios "precisam de mais 400 leitos de UTI". O secretário da Saúde comentou a informação. "Neste momento, nós temos mais de 400 leitos livres no estado. Este cálculo de que precisa de mais 400 não partiu do planejamento da secretaria de estado", disse.

O secretário falou ainda sobre o represamento de testes da doença no resultados no Laboratório Central (Lacen), em Florianópolis. Segundo ele, tem tido um aumento no volume de solicitações, que tem resultado em dificuldades pontuais, entre elas na aquisição de insumos. Atualmente, a fila de espera é de quatro mil exames, conforme o secretário.